O que são as IST?

Publicado por: Letícia Lana Letícia Lana
07/12/2021
10 minutos de leitura
Preservativos de várias cores

Desde 2016, o Ministério da Saúde passou a utilizar o termo IST (infecção sexualmente transmissível), em vez da tradicional DST (Doença Sexualmente Transmissível), porque o termo “doença” sugere que existam sintomas visíveis na pessoa infectada, enquanto a palavra infecção admite que também há problemas assintomáticos.

Sendo um dos problemas de maior impacto sobre os sistemas públicos de saúde, as Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST’s)  afetam – e muito – a qualidade de vida de seus portadores no Brasil e no mundo. 

Por essa razão, o Ministério da Saúde realiza a campanha do Dezembro Vermelho que tem o objetivo de promover a conscientização para o tratamento precoce da  infecção pelo vírus do HIV e de outras infecções sexualmente transmissíveis, já que  é extremamente importante o diálogo sobre as infecções para que, num futuro, a cadeia de transmissão seja interrompida e a qualidade de vida das pessoas melhore.

O que significa IST?

IST é uma Infecção Sexualmente Transmissível que pode ser causada por bactérias, vírus ou outros agentes, como parasitas e que são propagadas por meio das relações sexuais desprotegidas – inclusive no sexo ora e anal. Dentre elas a herpes genital, sífilis, gonorreia, HPV, HIV/AIDS, clamídia, tricomoníase, além das hepatites virais B e C, podendo, dependendo da doença, evoluir para graves complicações.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 milhão de infecções sexualmente transmissíveis são adquiridas todos os dias no mundo todo. Apesar da maioria ser facilmente tratada, um grande problema das IST ‘s é que os sintomas não são facilmente percebidos, ou seja, muitas pessoas podem ter e não sabem, o que reforça a importância de usar preservativo em todas as relações sexuais.

IST’s no Brasil

Uma pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estimou que aproximadamente 1 milhão de pessoas no Brasil tenham diagnóstico médico para Infecção Sexualmente Transmissível (IST). E mesmo com esse número alarmante de pessoas infectadas, a pesquisa constatou que, entre os indivíduos com 18 anos ou mais,  apenas 22,8% (ou 26,6 milhões de pessoas) usaram preservativo em todas as relações sexuais, 17,1% das pessoas afirmaram usar às vezes, e 59,0% disseram que nunca usam preservativo.

O descuido e a falta do uso de proteção já são refletidos no aumento de casos de IST ‘s no país. O Boletim Epidemiológico HIV/Aids, emitido pelo Ministério da Saúde, revelou um aumento de 64,9% das ISTs entre jovens de 15 a 19 anos e de 74,8% para os de 20 a 24 anos, entre 2009 e 2019. Um dos motivos para o comportamento imprudente e para o crescimento dos casos é uma falsa sensação de segurança que os jovens sentem, principalmente por não ter vivenciado as epidemias de HIV e AIDS na década de 1980. 

E o mais preocupante é que este sentimento parece perdurar por toda a vida, já que, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), embora homens adultos saibam o que são as infecções sexualmente transmissíveis, 80% se consideram fora de risco para a contaminação.  

Sintomas de IST’s: 

Quando se trata das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST ‘s) os sintomas podem variar de acordo com o tipo de infecção. Entre os mais comuns podemos citar: 

  • Corrimentos;
  • Ardência ao urinar;
  • Feridas e verrugas genitais;
  • Úlceras;
  • Dor nos genitais;
  • Algumas lesões de pele. 

Vale lembrar que ao evitar as infecções, é possível evitar complicações como câncer, doença inflamatória pélvica, que pode causar dor e esterilidade, além da gravidez ectópica (gravidez fora do útero).

Quando fazer um teste de IST?

Por causa da existência de casos em que os sintomas passam despercebidos, uma das formas de evitar as consequências tardias das IST’s é fazer exames de controle, principalmente, nas seguintes circunstâncias:

  • Uso de objetos contaminados;
  • Relação sexual com parceiros diagnosticados;
  • Relação sexual sem proteção;
  • Transfusão de sangue contaminado;
  • Transmissão de mãe para filho durante o parto ou amamentação;
  • Se você percebeu alguma alteração compatível com os sintomas de IST (secreção uretral ou vaginal, feridas ou verrugas em genitais e dor ao urinar);

Quanto mais cedo ocorrer a descoberta de alguma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), melhores são as chances de eficácia do tratamento. Por isso, não hesite em fazer o Teste de DSTs no Labi, eles são completamente sigilosos e você ainda pode realizá-los no conforto do seu lar, sem precisar sair de casa. 

Quais são as IST’s mais comuns?

Existem diversos tipos de IST’s e a maioria pode ser transmitida por meio do sexo sem proteção (anal, vaginal e oral), do beijo, do contato pele com pele genital infectada, por brinquedos eróticos não higienizados e também da mãe para o bebê durante o parto.

Portanto, para não contrair qualquer tipo de infecção, a melhor forma de prevenção é o uso de preservativos. Não bobeie e cuide da sua saúde! Confira abaixo uma lista com as IST’s  mais comuns:

Clamídia

A clamídia é causada pela bactéria Chlamydia trachomatis e costuma ser assintomática. Contudo, caso não seja diagnosticada e tratada rapidamente, pode causar uma série de complicações graves, como inflamações na pélvis ou na próstata, problemas nas trompas e até mesmo levar à infertilidade. 

Herpes Genital

Uma infecção provocada pelo vírus herpes HSV, que provoca lesões na pele e nas mucosas dos órgãos genitais masculinos e femininos. Uma vez dentro de um organismo, dificilmente esse vírus será eliminado, já que ele se esconde dentro das raízes nervosas, o que impede o acesso do sistema imunológico a ele.

HPV

O Papilomavírus Humano (HPV) é o vírus conhecido por causar o câncer do colo do útero. Existem mais de 100 tipos de HPV, que podem provocar diversas enfermidades e afetar também os homens. Entre os problemas mais comuns, estão também as verrugas genitais e o câncer de ânus.

Gonorreia

Infecção causada pela bactéria Neisseria Gonorrhoeae e na maioria dos casos não causa sintomas, no entanto, algumas pessoas podem sentir dor ou ardor ao urinar e surgimento de corrimento branco-amarelado, semelhante ao pus. A infecção costuma afetar a uretra e o colo do útero — bem como o reto e a garganta quando se pratica sexo anal e oral, respectivamente. Assim como a clamídia, se não tratada, a gonorreia pode provocar infertilidade nas mulheres.  

Sífilis

Essa IST também é causada pela bactéria Treponema pallidum e se ela não for rapidamente tratada, a infecção pode se espalhar pelo corpo e trazer complicações graves como AVC, surdez, demência e meningite. Caso haja feridas nas mucosas, a sífilis pode ser transmitida pelo beijo, porém essa forma é rara.

Tricomoníase Vaginal

A tricomoníase é uma IST muito comum causada pelo parasita Trichomonas sp., que pode levar ao aparecimento de corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, dor e ardor ao urinar e coceira na região genital.

HIV / AIDS

A AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) é uma doença causada pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV), que ataca o sistema imunológico e deixa o organismo vulnerável a doenças. Embora a infecção já tenha sido encarada como sentença de morte, a evolução dos tratamentos deu à AIDS um status de condição crônica —como tal, exige muitos cuidados, mas não impede ninguém de ter uma vida plena e longa.

Hepatites virais

As hepatites virais são doenças infecciosas graves que afetam o fígado e causam a inflamação do órgão. A grande preocupação com relação às hepatites são os casos mais graves da doença, que podem levar à falência hepática (o fígado deixa de funcionar), a cirrose, que traz várias complicações como hemorragia (vômitos de sangue), ou desenvolvimento de ascite (ganhar líquido na barriga) e até o desenvolvimento de câncer no fígado. As hepatites de tipo A, B e C são geradas por vírus e podem ser transmitidas pelo sexo; os tipos B e C são passados, principalmente, pelo sangue.

Como se proteger das IST’s?

Entre os métodos para prevenção das ISTs, destaca-se a combinação do uso de preservativo masculino ou feminino, com estratégias de vacinação. 

Preservativos:

O uso de preservativo masculinos ou femininos em todas as relações sexuais vaginais ou anais é a forma mais simples e eficiente para evitar o contato com as infecções. 

Mesmo em relacionamentos estáveis é recomendado manter o preservativo, uma vez que, o parceiro pode adquirir o vírus de outra pessoa, de diversas maneiras: sexo fora do relacionamento, compartilhamento de seringas (comum em usuários de drogas ilegais) ou uso de piercings e instrumentos hospitalares ou de manicure não esterilizados. 

Vacina de HPV: 

A Vacina de HPV Quadrivalente imuniza o organismo contra o HPV 16 e 18, diminuindo drasticamente as chances de desenvolver câncer de colo de útero, e dos tipos 6 e 11 que causam as verrugas genitais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a melhor maneira de prevenir o HPV é ser vacinado antes de iniciar a atividade sexual, já que as vacinas são preventivas e não podem tratar infecções já existentes ou doenças associadas ao HPV, como o câncer.  

Tendo isso em vista, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam que a Vacina de HPV Quadrivalente seja tomada principalmente por: 

  • Meninas e mulheres de 9 a 45 anos de idade, o mais precocemente possível.
  • Meninos e jovens de 9 a 27 anos, o mais precocemente possível.

Vacina de Hepatite A e B 

A melhor e mais eficaz maneira de prevenir a hepatite é sem dúvidas a Vacina de Hepatite A e B, que protege contra os tipos A e B da doença. A Sociedade Brasileira de Imunização (SBim) recomenda que a Vacina de Hepatite A seja tomada por todas as pessoas a partir de 12 meses de vida. 

Já a Vacina de Hepatite B faz parte da rotina de vacinação das crianças, devendo ser aplicada nas primeiras 12 a 24 horas após o nascimento. Assim, previne-se a hepatite crônica – forma que pode acometer até  90% dos bebês contaminados ao nascer. A Vacina de Hepatite B também é especialmente indicada para gestantes não vacinadas.

Embora as formas de contágio sejam bastante variadas, de maneira geral é possível se prevenir contra praticamente todas as ISTs se o sexo for seguro e através da vacinação. Além disso, vale a pena manter-se sempre informado e disseminar conhecimento para as pessoas da sua convivência; afinal, informação também é um modo de prevenção. E, seja com exames, testes, check-ups ou vacinas, conte sempre com o Labi para te ajudar a cuidar da saúde.

Quer receber novidades? Assine nossa newsletter

Quer receber novidades? Assine nossa newsletter: